Obtenção de óleo de Macaúba por prensagem contínua
24/05/2011
Roseli Aparecida Ferrari (1); Ana Carolina Ocanha (2); Joaquim Adelino de Azevedo Filho (3)

(1) ITAL / Centro de Ciência e Qualidade de Alimentos. Campinas-SP, Brasil. E-mail roseliferrari@ital.sp.gov.br
(2) Bolsista PIBIC CNPq / Centro de Ciência e Qualidade de Alimentos. Campinas-SP, Brasil. E-mail: ana.ocanha@gmail.com
(3) APTA / Pólo Leste Paulista / DDDF. E-mail: joaquimadelino@apta.sp.gov.br

Palavras-chave: Acrocomia, oleaginosa, óleo de macaúba, torta, prensagem.

1. INTRODUÇÃO

A macaúba pertence à família Palmae, de vasta distribuição geográfica nas Américas. Sua área de ocorrência estende-se desde os Estados de São Paulo e Rio de Janeiro, passando por Minas Gerais e por todo o Centro-oeste, Nordeste e Norte do Brasil atingindo até a América Central. Considerando-se sua dispersão e semelhanças existentes entre as palmeiras do gênero Acrocomia, observa-se que existem diferentes nomes regionais para designar tais palmeiras como, por exemplo: mucujá, mocujá, mocajá, macaúba, macaíba, macaiúva, bacaiúva, umbocaiúva, imbocaiá ou coco-de-espinhos (Bondar, 2005). Esta planta tem despertado o interesse da sociedade científica, empresarial e governamental para a sua inclusão na cadeia produtiva do biodiesel.
É uma palmeira que apresenta ampla distribuição no território brasileiro e com grande potencial como matéria-prima para produção de óleos. Os frutos da macaúba fornecem dois tipos de óleo economicamente importantes: o óleo da polpa e o óleo da amêndoa (Szpiz et al., 1989).
Os plantios comerciais já estão sendo implantados (Monteiro, 2010). Contudo até o presente momento, poucos são os trabalhos visando conhecer e definir as etapas tecnológicas necessárias para seu processamento industrial com o intuito de viabilizar sua inclusão na cadeia produtiva do biodiesel.

2. OBJETIVO

Este trabalho teve como objetivo definir as etapas do processo tecnológico de obtenção de óleo de macaúba por prensagem contínua.

3. MATERIAL E MÉTODOS

Os frutos de macaúba foram coletados em plantas de populações de ocorrência espontânea no Estado de São Paulo e fornecidos pelo Pólo Regional do Leste Paulista da APTA (Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios).
Os teores de casca, polpa, endocarpo e amêndoa foram determinados por gravimetria.
Os frutos foram selecionados quanto ao aspecto e em seguida foram descascados e despolpados. O endocarpo foi quebrado visando à separação das amêndoas que foram moídas. Os teores de umidade e óleo da polpa e da amêndoa foram determinados de acordo com a metodologia oficial da AOCS (2008).
Tanto o óleo da polpa seca da macaúba juntamente com suas cascas, quanto o da amêndoa foram extraídos por prensagem com uso de uma prensa contínua, na Planta Piloto de Óleos do Instituto de Tecnologia de Alimentos (ITAL), obtendo-se desta forma óleo e torta.
O teor de ácidos graxos livres dos óleos obtidos foi determinado de acordo com a metodologia oficial da AOCS (2008).

4. RESULTADOS E DISCUSSÃO

Os frutos de macaúba utilizados neste estudo apresentaram teor de cascas variando entre 17,7 e 27,7%, teor de polpa entre 32,1 e 43,8%, teor de endocarpo entre 24,1 e 26,5% e teor de amêndoas entre 11,1 e 18,7%. Os valores obtidos experimentalmente neste trabalho estão de acordo com os apresentados por Bhering (2010).
Os frutos foram classificados de acordo com a aparência. Pode-se observar a presença de escurecimento causado por ataque de fungos o que acarreta na perda da qualidade do óleo extraído da polpa. Pode-se também observar as características distintas da polpa dos frutos de macaúba após a seleção de frutas claras e escuras, bem como os respectivos óleos obtidos após extração.
A polpa das frutas apresentou teor de umidade que variou de 27,9 a 47,7%, uma faixa considerada bastante ampla, sendo necessária a inclusão, no processo tecnológico da macaúba, da etapa de secagem da polpa, visando sua conservação e preparando-a para a etapa posterior de prensagem contínua.
O teor de óleo das amostras de polpa de macaúba analisadas variou de 14,0 a 33,3% em base seca, o que demonstra a ampla variabilidade existente entre as frutas.
O teor de ácidos graxos livres do óleo da polpa clara foi de 0,56% enquanto o óleo da polpa escura apresentou 27,22%, o que demonstra que a degradação da polpa altera a qualidade do óleo obtido. Já o óleo extraído das amêndoas apresentou 2,8% de ácidos graxos livres.
Como a qualidade do óleo é diretamente proporcional a qualidade da matéria-prima, deve-se buscar uma forma de minimizar a degradação dos frutos desde a coleta até o processamento. Varias soluções tecnológicas podem ser investigadas e seus efeitos devem ser avaliados.
A prensagem da polpa seca foi feita juntamente com a casca dos frutos de macaúba em prensa contínua, com obtenção de óleo e torta. A adição da casca junto com a polpa seca se fez necessária visando o melhor funcionamento do equipamento. O alto teor de óleo presente na polpa dificulta a remoção do óleo por prensagem exigindo a presença de um material que proporcione o aumento no atrito entre o material.
Baseado nos resultados até agora obtidos, o fluxograma simplificado proposto do processo industrial para obtenção de óleo de macaúba via prensagem contínua compreende as seguintes etapas: Limpeza para remoção de impurezas; despolpa para separação de polpa e casca do endocarpo; secagem da mistura de polpa e casca para redução da umidade; prensagem para extração de óleo e obtenção de torta; e filtração do óleo para remoção de finos. O endocarpo passa pela etapa de quebra para separação de casca e amêndoa e segue para a prensagem contínua de forma idêntica ao executado com a mistura de casca e polpa seca. Cabe ressaltar que a qualidade do óleo obtido dependerá da qualidade da matéria-prima, podendo ser incluída, após a etapa de limpeza, a aplicação de uma etapa tecnológica visando a minimização da degradação da polpa, como por exemplo, a esterilização, podendo também ser empregada a etapa de classificação das frutas, isto tudo visando obtenção de óleo de melhor qualidade.

5. CONCLUSÃO

A macaúba após adequado processamento fornece, por prensagem contínua, dois tipos de óleo com características distintas, óleo da polpa e óleo da amêndoa. A qualidade do óleo é influenciada pela qualidade da matéria-prima. A etapa da classificação dos frutos é recomendada para obtenção de óleo de qualidade. A secagem da mistura da polpa e casca é de fundamental importância para o processo de extração por prensagem contínua.

6. REFERÊNCIAS

AOCS. Official Methods and Recommended Practices of the American Oil Chemists Society. 5. ed. Champaign, v. 1-2, 2008.

BHERING, L. Macaúba: Matéria-prima nativa com potencial para produção de biodiesel; Embrapa Agroenergia,2010G.; Bull. Agric. Congo Belge 1942, 23, 3.

BONDAR, G. Palmeiras do Brasil. Disponível em http://www.bibvirt.futuro.usp.br/especiais/frutasnobrasil/macauba.html. Acesso em Julho de 2005.

MONTEIRO, T. Empresas e pesquisadores investem na macaúba para alavancar a produção brasileira de biodiesel. Disponível em http://www.biodieselbr.com/noticias/em-foco/empresas-pesquisadores-investem-macauba-alavancar-biodiesel-240310.htm. Acesso em setembro de 2010.

SZPIZ, R. R.; LAGO, R. C. A.; JABLONKA, F. H.; PEREIRA, D. A. Óleos de macaúba: uma alternativa para a oleoquímica. Rio de Janeiro: EMBRAPA-CTAA, 1989. p.1-10 (EMBRAPA- CTAA. Comunicado técnico, 14).

AGRADECIMENTOS:
Ao CNPq pela bolsa PIBIC concedida.