30/03/2017

Mais uma preocupação para setor e consumidor: a crise da carne

Por Luis Madi, Diretor Geral do Instituto de Tecnologia de Alimentos (ITAL) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo; Membro do Conselho Científico para Agricultura Sustentável (CCAS); Engenheiro de Alimentos pela Unicamp e Mestre em Embalagem de Alimentos pela Michigan State University (EUA). 

Trabalhamos nestes últimos anos, em especial em 2015 e 2016, para apresentar ao consumidor brasileiro um local onde pudessem obter informação científica e tecnicamente comprovada sobre os alimentos processados (www.alimentosprocessados.com.br), onde o setor de proteína animal, em especial de carnes é fundamental, com produtos de excelente qualidade.

Aí aparece a Operação Carne Fraca e de forma “atrapalhada” cria uma desconfiança temporária desleal sobre este estratégico setor de suprimento de alimentos no Brasil e no exterior.

Estão querendo denegrir a imagem deste nosso setor que mantém os mais elevados padrões de qualidade a nível mundial. Surge, portanto, mais uma preocupação para a indústria de alimentos e bebidas e para o consumidor: a crise da carne.

A cadeia produtiva da carne é legítima onde todas as atividades passam por planejamento, manejo e controle do rebanho. Desde o antes até o depois da porteira. Temos presenciado produtores buscando a inovação, melhorando a capacidade de gerenciamento das fazendas, bem estar dos animais, investindo em ciência e tecnologia. Outros profissionais da área se aperfeiçoando através de treinamentos, análises de mercado, controle fitossanitário, rastreabilidade. Como sempre: o agro mantendo o Brasil e sempre contribuindo para o PIB. Nossa imagem não pode ficar ao relento.

Segundo texto do Engenheiro Agrônomo Márcio Ceccantini, durante dois anos de investigação, temos 21 fábricas autuadas sobre um total de 4.837 fábricas e frigoríficos no País e 33 fiscais de um total de onze mil. Se há um problema de corrupção, se houve problema político envolvendo algumas pessoas e fábricas, deveria ser tratado com rigor e punição de forma pontual e não generalizada.

Admiro muito o trabalho da ABIEC (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes) e ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal), em especial a pessoa do Ministro Turra, que durante anos batalhou para o estabelecimento de um sistema sério baseado na ciência e tecnologia dos alimentos no setor de carnes e derivados.

Somos contra qualquer ilegalidade no setor. Somos contra essas irregularidades e os envolvidos devem ser punidos. Mas é preciso relembrar que os corretos ainda são a maioria, que nosso setor tem representantes íntegros, desde a produção da carne até os processos de qualidade e fiscalização.

É hora do consumidor também analisar os fatos e buscar informação baseada na ciência e na tecnologia. O que todos nós queremos é ter um alimento seguro. Esse é o nosso trabalho e a nossa missão: pesquisa, desenvolvimento, inovação, assistência tecnológica, capacitação e difusão do conhecimento técnico-científico para o agronegócio em benefício da sociedade.  Vamos juntos, pois fazer isso acontecer só depende de nós.